domingo, 24 de setembro de 2006




Vitória - ES



Depois de passar algumas desconfortantes horas numa poltrona de ônibus tentando dormir, desembarquei numa grande e fria rodoviária. É estranha a sensação de estar sozinho numa cidade que você não conhece. Esse medo passou logo que cheguei no hotel, onde reencontrei velhos e bons amigos que me aguardavam. Durante alguns meses, esse hotel seria nosso “quartel-general” e a missão seria trabalhar no navio P-34 da Petrobrás que estava ancorado no Porto de Vitória.

Sentia-me feliz por estar ali. Ansioso pra conhecer logo tudo que me fora falado dessa cidade. Meus amigos logo se encarregaram de serem meus guias turísticos para me apresentar o que a cidade tem de melhor. O que mais me impressionou foi a gama de opções de divertimentos mesmo durante dias de semana, fato inexistente na minha cidade, Petrópolis. Quanto às belezas naturais, da janela do meu quarto dava pra ver belas montanhas, que eu logo daria um jeito de conhecer.

No quarto do hotel eu tive que aprender a conviver diariamente com meu companheiro de trabalho. Darlan, o “Mineiro” me dava trabalho. Ele deixava o quarto numa bagunça total e que eu não estava acostumado. Como se não bastasse, ele gostava de assistir televisão,ver filme no seu DVD portátil e ouvir rádio, tudo ao mesmo tempo! Como meu cérebro não é dotado dessa incrível habilidade, nessas horas eu pegava meu livro e tentava me desconectar de toda aquela zueira. No final das contas, eu também nem esquentava mais minha cabeça por ele usar minha pasta de dentes, meu shampoo, meu desodorante, comer meus biscoitos, etc... Mas o legal foi que apesar de tudo nos entendemos muito bem, nas raras discussões que tivemos soubemos resolver da melhor forma possível e logo estávamos na boa um com o outro. E também aprendi bastante com ele nas conversas que tivemos, algumas delas atravessando até algumas madrugadas.

Nos momentos que ficava sozinho no quarto, eu gostava de ficar na janela observando a avenida principal de Vitória. Também gostava de ficar espiando as janelas dos prédios da frente e, quando dava sorte, até conseguia ver a loira do terceiro andar trocando de roupa. Mas na maior parte do tempo eu me dedicava a ler o livro que ganhei de presente da minha querida amiga Tarcila antes de viajar. Também passei alguns dias brincando de fazer caixinhas e bichos de papel, utilizando técnica de Origami, tendo como professor o Marcos “Giraya”, também amigo de trabalho.

Não teve um dia sequer que eu não tenha pensado nas pessoas de Petrópolis, a saudade era grande. Eu nunca tinha ficado tanto tempo longe de casa e estava sentindo na pele como isso é ruim. Sempre que chegava do trabalho eu ia direto olhar o celular pra ver se tinha recebido alguma chamada ou mensagem. Agradeço as pessoas que se lembraram me mim. Também queria ter ligado para mais pessoas, mas quem me conhece sabe que meu celular nunca tem crédito e ligar do hotel saía bem caro. Na verdade, eu até preferi me isolar um pouco mesmo. Até mesmo da internet eu consegui me desligar bem e foram poucas as vezes que fui numa lan house. Estava preferindo viver coisas reais e aproveitar tudo em Vitória, deixando de lado o mundo “virtual” que estava me prendendo bastante ultimamente.

Durante mais algumas semanas, continuarei em Vitória com a certeza de que muita coisa boa ainda vai acontecer. Acho que o legal na vida é você sempre ter uma boa nova história pra contar.