segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Cicloviagem Volta Redonda- RJ x Arapeí- SP (via Sertão da Onça, Bananal- SP) 180kms
Participaram: Michel, Jorginho, Rogério, Reginaldo, Zoreia, Pedro e Celmo


Sábado, dia 24 de outubro: VR x Bananal (Pousada da Onça) 80 kms

Mais um final de semana de muita aventura sobre bikes. Eu, Jorginho e Rogério saímos de VR e fizemos nossa primeira parada para lanche em Bananal. Pouco antes ainda havíamos encontrado os amigos João Bosco, Serginho e Marcelo que subiriam a serra de carro até na Pousada da Onça, então eu Jorginho aproveitamos para deixar as mochilas no carro e poupar energia. Reginaldo chegou logo em seguida. Recarregamos as baterias para encarar mais uma vez a destroçante subida da Serra da Bocaina de Bananal.

Jorginho e suas "pílulas mágicas"

Até Bananal eu fui me arrastando na bike. O pneu parecia murcho, o asfalto parecia estar colando e a bike parecia estar travada. Na verdade, todo o problema estava nas minhas pernas cansadas. Foi quando Jorginho me ofereceu uma das suas "pílulas mágicas", um comprimido de BCAA. Saí pedalando normalmente até o Bar da Bica no km 12, onde tomamos uma ducha de água fria. Dali em diante, subi a serra num ritmo frenético até a entrada da Cachoeira 7 Quedas, onde esperei meus amigos ( o Rogério seguiu pedalando). Comi uma castanha de cajú e parti novamente, com todo gás. Em muitos trechos dessa serra eu costumo desmontar da bike e empurrar um pouco, mas dessa vez nem foi preciso... Subi igual um doido pedalando em pé e logo cheguei no cume, pouco depois do Rogério. Gostei desse "remedinho". rsrs

Quando Reginaldo e Jorginho chegaram já estavam acompanhados do Zoreia, que os alcançou no caminho. Reginaldo estava passando mal e tinha até vomitado, ele acha que foi um pão de queijo que comeu em Bananal, mas logo já estaria bem novamente.

Nesse último ponto de asfalto onde sempre fazemos nossa parada tinha um recado do Pedro rabiscado no chão dizendo que ele iria para a Pousada da Onça nos aguardar, pois ele tinha saído mais cedo de carona de carro até Bananal junto com o José Adal, o Sequela e uma turma grande de Barra Mansa.

Pegamos estrada de terra e paramos para almoçar no belo restaurante do Bocaina Parque Hotel. A comida estava deliciosa. O dono, que também se amarra em bike nos deu um tratamento VIP. Seguimos pedalando até o trutário. A partir desse trecho, tudo era novidade pra mim. A estradinha de terra é linda e cercada de araucárias, típicas dessa região. Encontramos o Sr. José Adal e Sequela voltando pra Bananal e ainda batemos um papo.

De tardinha chegamos na pousada e encontramos nosso amigo Pedro. Era hora de relaxar. Jantamos a deliciosa comida da Susi e ficamos conversando até tarde na mesa, rindo muito e revezando um lugar na confortável rede. O relógio devia marcar por volta das 22 hs quando para surpresa geral vimos uma farol de bike chegando. Era o nosso amigo Celmo! Subiu a serra igual um doido no escuro e sozinho, e agora nos contava rindo os perrengues que passou com câimbras e com a luz do farol que apagava com as pilhas já fracas. Ficamos conversando e fazendo a maior bagunça, eu ria tanto que a barriga chegava até a doer. Só paramos para dormir, pois o dia seguinte prometia...


Domingo, dia 25 de outubro: Pousada da Onça x Volta Redonda (passando po
r Arapeí) 100 kms

Comemos o delicioso pão caseiro da Susi e logo nos aprontamos para sair. Na primeira subida a corrente do Rogério arrebentou. Reginaldo sugeriu que fôssemos na Cachoeira do Jacú Pintado enquanto eles consertavam a corrente. A cachoeira é linda e convidativa. Eu e Celmo tomamos um delicioso banho gelado. O grupo se juntou novamente e decidimos pegar um caminho alternativo para conhecer a Cachoeira da Onça. Um morador nos explicou o caminho e nos amedrontou, falando que tem umas onças que moram numa toca da cachoeira e que inclusive essas onças mataram alguns animais da região, mas mesmo assim decidimos ir ( com um certo receio, claro. rsrs). Deixamos as bikes na casa de uma moradora e partimos caminhando. Seguimos por uma trilha errada, voltamos e nos perdemos novamente. Fazia muito tempo que Reginaldo não ia na cachoeira e não estava lembrando muito bem do caminho. Eu e Jorginho então desistimos de tentar procurar o caminho e voltamos pra casa da moradora. Quando lá chegamos, ela logo tratou de ir atrás deles para lhes mostrar o caminho certo. Enquanto isso, eu e Jorginho fomos conhecer outras cachoeiras que avistamos no caminho. Logo, nos encontramos com o grupo novamente e ficamos sabendo que eles acharam a cachoeira e, por sorte, nenhum sinal da onça!

O tempo fechou e pegamos uma forte chuva. Foi rápida, mas tempo o suficiente para deixar o caminho com muita lama. Em muitas subidas tivemos que empurrar as bikes pois era impraticável pedalar. Nas descidas, tivemos muitos tombos também. Alguns até engraçados, como o Jorginho descendo o morro de bunda com a bike em pé, sem nenhum arranhão. Num entroncamento, pegamos um caminho que logo descobrimos seguir para São José do Barreiro, então tivemos que voltar um curto trecho para pegar a rota certa para Arapeí. Ainda paramos na Pousada Azul para mais um lanche. O trecho final foi bem desgastante, mas depois pegamos muita descida até finalmente pegar o asfalto em Arapeí. Tratamos de jantar, pois nessa essa hora todos já estavam famintos. Depois foi só encarar asfalto, já de noite, até Bananal, onde lanchamos e descansamos na praça. Depois foi só ligar o “piloto automático” e chegar em Volta Redonda. Foi mais um super pedal na qual nos divertimos muito.

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Cicloviagem Volta Redonda- RJ x Paraty- RJ. 244 kms
Participantes: Michel, João Bosco, Zoreia e Reginaldo

Sábado, dia 17 de outubro: Volta Redonda- RJ x São José do Barreiro- SP (Pousada Lageado)
107 kms

Eu estava ansioso, pois sabia se tratar de um grande desafio com muitos quilômetros de pedal. Mas também muito animado, na certeza que o caminho revelaria belas paisagens e renderia boas histórias. A companhia era perfeita, um time que pedala muito bem e, acima de tudo, são ótimos companheiros, seja para pedalar ou para um bom papo (juntando as duas coisas é melhor ainda).

O primeiro contratempo foi em Barra Mansa, com meu pneu furado. Por sorte foi em frente ao posto de gasolina e isso me poupou algumas "bombadas". Pegamos estrada de terra rumo à Rialto e paramos pra fazer um lanche. Quando fui sair, outro pneu furado (essa praga é das boas, mas eu sou teimoso- pensei). Pneu trocado, seguimos pedalando. Mas foi por pouco tempo... Mais adiante, os 2 pneus furaram ao mesmo tempo! Aí me deu vontade de jogar os caros "sapatos" de kevlar Bontrager fora, com roda e tudo! Pensei em voltar e desistir de acompanhar a turma até para não prejudicá-los. Foi quando o Zoreia entrou em cena, me incentivando a continuar. Decidí então seguir até São José do Barreiro e tentar achar uma loja de bike para comprar outros pneus, mas só encontrei um mercadinho de esquina que vendia umas pecinhas de bike e, por sorte, pneus Levorin de 17 reais! rsrsrs. Aí ficou a dúvida: será que aguenta?? Comprei. Troquei, meti na terra e não é que o bichinho parecia ser bonzinho? ( Até o fim dessa postagem não tocarei mais no assunto sobre meus pneus, porque simplesmente os "Levorins" me levaram até Paraty sem um furinho sequer. Eles ganharam definitivamente a vaguinha na minha magrela).

Almoçamos em São José do Barreiro e nos preparamos psicologicamente para enfrentar a dura subida de 21 kms de estrada de terra até o alto da Serra da Bocaina. E pra aumentar o peso do fardo ainda começou a chover torrencialmente, transformando aquela terrinha gostosa em lama pura! No meio do caminho ainda tivemos que ajudar um fusca que ficou atolado na subida, o negócio tava feio... Começou a escurecer e nós ainda estávamos na fase do "empurra-bike" nos arrastando no meio de toda aquela lama morro acima com relâmpagos iluminando repentina e assustadoramente toda a mata que nos cercava. Mas como diz o João Bosco, o "agora" passou e a noite terminou bem, com todo o grupo confortavelmente instalado na Pousada Lageado, com a barriguinha cheia da comida preparada no fogão à lenha do seu carismático proprietário Sebastian.


Domingo, dia 18 de outubro: S. J. do Barreiro- SP x Campos Novos de Cunha- SP (Pousada Trilha do Ouro) 57 kms

Colocar as roupas para secar perto do fogão a lenha foi uma boa idéia, mas isso não resolveu totalmente o problema. Foi duro ter que vestir a farda molhada no friozinho da manhã. Pra piorar, justamente na hora da nossa partida começou a pingar. Por sorte, logo nos primeiros quilômetros o tempo começou a mudar completamente e o Sol deu as caras, nos brindando com ótimas fotografias. Mas o Sol também nos castigou bastante nas várias subidas, ainda bem que essa região é rica em nascentes e bicas d'água e sempre era possível encher a caramanhola com a pura água da serra. Passamos por lugares incríveis, rodamos muito tempo sem encontrar ninguém pelo caminho. As poucas casas eram totalmente isoladas, o lugar é uma calmaria só. A sensação de estar chegando em uma vila mais habitada foi somente quando nos aproximamos de Bairro dos Macacos. Mas mesmo antes de chegar no centro desse vilarejo paramos para um "almoço cortesia" na casa do Ademar, um morador local. Diante do nosso pedido de informações e água, ele se prontificou a nos ajudar e logo começou a preparar um almoço. São nessas horas que podemos constatar a bondade e solidariedade do nosso povo. Um homem simples, que se prestou a compartilhar sua comida e bebida conosco. Isso não tem preço! Muito obrigado, Ademar!

Depois do almoço, pegamos uma descida de 12 quilômetros e chegamos no centro do Bairro dos Macacos. Só encontramos uma padaria aberta e aproveitamos para dar mais uma "forrada" na barriga. Pretendíamos pernoitar nesse lugar mas não achamos nenhuma pousada funcionando, resolvemos então seguir até Campos Novos de Cunha. No finalzinho do trajeto, já de noite, a chuva aumentou muito. Pra completar, o freio e o farol da bicicleta do João Bosco resolveram entrar em greve. Descemos as últimas ladeiras caminhando e conversando tranquilamente debaixo do temporal. Quando chegamos em Campos Novos, Reginaldo e Zoreia já nos esperavam numa lanchonete e já tinham até acertado uma pousada. Arrumamos as coisas na pousada, tomamos banho e depois voltamos na tal lanchonete para comer uma deliciosa pizza e tomar uma cervejinha gelada, nossa forma de comemorar mais um dia maravilhoso!


Segunda, dia 19 de outubro: Campos Novos de Cunha - SP x Paraty -RJ. 80 kms

A expectativa era grande para esse dia, mas eu também tinha alguns temores. Depois do café da manhã, todos deram uma geral nas bikes e o resultado não foi muito bom: constatei que meu freio hidráulico dianteiro estava com as pastilhas totalmente gastas e pra piorar ainda tinha vazado óleo. O traseiro estava com as pastilhas quase na lona e eu temia não ter pastilha pra pegar o trecho final da forte descida Cunha-Paraty. A bicicleta do Reginaldo estava sem o freio traseiro devido a problemas no cabo de aço e a do JB estava com os aros bem gastos, mas o problema no freio do dia anterior foi solucionado com a troca das borrachas de freio. Isso tudo na verdade se mostrou um grande erro da nossa parte, não planejando peças de reposição emergenciais para as bikes. O planejamento pode ser o fator determinante para garantir o sucesso de uma viagem como essa. Fica a lição para uma próxima aventura...

O dia estava nublado, pelo menos não chovia. Pegamos uma estrada asfaltada que parecia não ter fim. As subidas eram implacáveis. A disposição para pedalar já não era a mesma, o cansaço acumulado era grande. A bunda já não achava mais uma posição confortável no selim e a mochila maltratava as costas. Avistar Cunha após uma curva foi uma grande alegria, pois eu estava muito cansado mesmo e doido para parar com calma e almoçar. E assim foi feito. Demos um bom descanso na pracinha da Igreja Matriz e tomamos um banho no chafariz, que ajudou muito. Um picolé também caiu bem. Mas não podíamos relaxar, ainda tínhamos alguns bons quilômetros pela frente...

Entramos na Estrada Real, a famosa rota construída na época o Império para escoar todo o ouro das Minas Gerais para o porto de Paraty. Hoje, a riqueza explorada é o turismo. A estrada está em grande parte asfaltada e possui belos marcos indicativos de distâncias e informativos históricos. Seguimos, subindo muito. E como nesse último dia não podia ser diferente, a chuva nos atacou novamente!

Justamente no final da subida, acaba o asfalto. Placas indicam que entramos novamente no Estado do Rio. Estamos a uma altitude de aproximadamente 1.200 m e em cerca de 20 kms despencaremos para zero ao nível do mar em Paraty. A estrada de terra está interditada para obras, devido a vários deslizamentos de pedras e barrancos. Para quem gosta de descida casca-grossa esse é o lugar! Chovia tanto que nem dava para tirar fotos. Todos nós íamos bem devagar devido aos problemas com as bikes.

Imaginei as mulas descendo com as cestas abarrotadas de ouro por esse mesmo caminho que nesse trecho provavelmente não mudou muito desde a época do Império.

Além da chuva, a serração era forte. E eu que queria tanto ver o mar... Num trecho encontramos um bar feito de bambú que serve como ponto de apoio. O dono deixou vários cachos de bananas para qualquer um que passar se servir e comer a vontade. E nós comemos muito! O frio era tanto que eu desci caminhando para movimentar as pernas, já que para descer montado na bike nem precisava pedalar e as pernas começavam a dar sinais de câimbras. Foi anoitecendo e nós ainda descendo entre a mata fechada. Foi uma felicidade geral quando vimos as primeiras luzes, sinais de casas se aproximando. Logo chegamos no asfalto, aí tivemos certeza de estar chegando. As minhas pastilhas de freio traseiras acabaram e o que freiava a bike era o metal direto com o disco, causando um ruído enorme! E ainda tivemos mais um contratempo: 2 pneus furados, primeiro o do JB e depois o do Reginaldo. Trocamos e seguindo pedalando, agora já em terreno plano, dentro de algum bairro já bem movimentado. Logo, entramos numa boa ciclovia. Ao chegar no pórtico de entrada de Paraty o amigo Márcio já nos esperava de carro e foi uma felicidade enorme encontrá-lo ali. Enfim, chegamos!

AOS AMIGOS REGINALDO, ZOREIA E JOÃO BOSCO, MEU MUITO OBRIGADO POR TUDO!