Cicloviagem Volta Redonda- RJ x Conceição do Ibitipoca- MG. 340 kms
Sexta-feira, dia 30 de outubro. VR x Santa Rita de Jacutinga- MG. 57 kms
Eu, Pedro e Wagner saímos da Volgraf 20:30 hs. A noite estava enluarada e nos permitiu apagar os faróis em muitos trechos. Paramos rapidamente em Amparo, onde fizemos um lanche. Atravessamos a ponte do Zacharias, onde a lua refletia no rio abaixo e a sua luz iluminava as montanhas ao redor formando um belo cenário. A partir desse ponto toda nossa jornada seria nas maravilhosas terras Mineiras. Chegamos em Santa Rita de Jacutinga e nos hospedamos na Pousada da Judith, bem no centro. Fizemos um lanche rápido na praça e logo tratamos de dormir logo pois o dia seguinte prometia e a expectativa era grande.
Sábado, dia 31 de outubro. Sta. Rita de Jacutinga x Conceição do Ibitipoca- MG. 98 kms
Tomamos um café da manhã reforçado na pousada e logo arrumamos toda nossa "tralha" para partir. A mochila pesada castigava as costas, já bem maltratadas do dia anterior. Logo de cara já teríamos que encarar a tão famosa e penosa subida do Pacau que, para nossa sorte, foi recém asfaltada. Uma barraquinha de caldo de cana estrategicamente localizada foi nosso ponto de apoio onde repomos as energias para encarar o trecho final da subida mais pesada. Como recompensa, no final da subida paramos para apreciar a Cachoeira do Pacau e toda sua beleza.
Chegamos em Bom Jardim de Minas. Pedro correu igual um desesperado para uma LanHouse onde deixou uma mensagem no site do clube relatando nossa viagem até o momento. Almoçamos e nos demos um tempo para um merecido descanso. Sabíamos que o Reginaldo, Zoreia e Jorge estavam pra chegar a qualquer momento, pois eles ficaram de sair 5 hs da manhã de Volta Redonda e tínhamos tido notícias de um carro que passou por eles em Jacutinga aproximadamente 1 hora depois da nossa partida. Estávamos numa pracinha deitados nos bancos quando eles chegaram! Foi muito bom reencontrar nossos amigos. Eles almoçaram e também descansaram. Logo, partimos todos juntos.
Saímos de Bom Jardim e atravessamos a BR-267, decidimos pegar estrada de terra e evitar pedalar pela perigosa rodovia. Passamos por belas paisagens, sempre fotografando muito. A vegetação e o tipo de solo já era bem parecida com a do parque do Ibitipoca. Passamos por uma plantação de eucaliptos que parecia não ter fim e que Reginaldo sábiamente apelidou de "plantação de palitos de dentes".
A luz da tarde ia enfraquecendo. Os primeiros pingos de chuva vieram acompanhados da noite. Começou a chover bem forte. Empurramos muito as bikes. Pegamos várias subidas que mesmo em condições normais era impossível de se pedalar tamanha a inclinação. Começamos a ficar agoniados pois nunca chegávamos em Ibitipoca...
O relógio já marcava altas horas quando finalmente chegamos em Conceição do Ibitipoca. Encontramos a Talita, filha do Reginaldo, e mais alguns amigos que já nos esperavam na pracinha que estava lotada. Viramos o centro das atenções. Todos queriam saber de onde vinham aqueles ciclistas sujos de lama e todos molhados. Quando falávamos que vínhamos de Volta Redonda alguns nem acreditavam. Reginaldo encontrou seu irmão, o famoso Zé do Arame, que tem um bar é muito conhecido por toda região. Logo, fomos ao encontro do seu outro irmão, o Toninho, que é dono da pousada e restaurante Aldeia das Pedras, onde nos hospedamos.













Domingo, dia 1 de novembro. Trekking no Parque Estadual do Ibitipoca.
Acordei cedo. Era preciso dar uma limpeza e manutenção básica nas magrelas. Também tínhamos que lavar as roupas, sapatilhas e tudo mais... Isso tomou todo nosso tempo na parte da manhã, salvo alguns momentos de "diversão" jogando sinuca. Almoçamos e pegamos uma carona com o Toninho de carro até a entrada do parque.
O Parque Estadual do Ibitipoca é um lugar mágico para mim. Me faz recordar momentos muito felizes da minha vida e pessoas muito especiais que aqui estiveram comigo. Impossível não caminhar por essas trilhas e não lembrar de momentos, situações, risadas e conversas.
Trilhamos o paraíso das águas amarelas num dia meio chuvoso, mas mesmo assim não pude deixar de dar um mergulho na água maravilhosa. Caminhamos pelo circuito da Ponte de Pedra e fomos até a Cachoeira dos Macacos. A infra-estrutura do parque melhorou muito desde minha última visita em 2005, agora com novas placas, pontes, etc...
Quando voltamos na Aldeia das Pedras nos deparamos com o João. Ele botou a bike no busão e foi até Bom Jardim de Minas, depois pedalou sozinho até Ibitipoca pela BR-267 para nos encontrar. Que bom, mais um companheiro para a volta!
A noite fizemos uma festinha de aniversário surpresa para a Talita. Depois, eu e Pedro fomos para o agitado "centrinho" de Ibitipoca que estava lotado de gente bonita. Pedro encontrou seu primo na padaria "Ibitipão". Depois fomos para o "Ibitilua" onde um bom músico tocava blues com violão e gaita. Fiquei viajando no som, especialmente quando ele tocou Eric Clapton. Comemos muito pastel e batata frita. Voltamos para o chalé por volta das 2 da madruga (ai se não tivéssemos que pedalar tanto no dia seguinte...)
Segunda-feira, dia 2 de novembro. Ibitipoca x Volta Redonda- RJ (via Monte Verde, Santa Bárbara e Rio Preto) 185 kms
Pedalar 185 kms em grande parte por estradas de terra esburacadas não é fácil. Esse dia se iniciou com essa grande meta na minha cabeça. Para amenizar a situação, eu deixei minha mochila para a amiga Fernanda levar no carro e peguei apenas o necessário (máquina fotográfica, celular e carteira). Se precisasse de ferramentas eu contaria com os amigos. rsrs
Saímos descendo a Serra da Cruz das Almas igual doidos. A primeira parada foi em Lima Duarte num posto de gasolina que estava cheio de motoqueiros. Quando falávamos do nosso trajeto todos simplesmente ficavam doidos! Ou melhor, achavam que nós que éramos os doidos.
Seguimos para Monte Verde. A galera decidiu entrar numa trilha alternativa para conhecer a Cachoeira do Arco-Íris, mas eu e Jorginho seguimos direto para Santa Bárbara para agilizar o almoço. Mais tarde, vendo as fotos, me arrependi muito por não ter ido na bela cachoeira. Almoçamos e seguimos para Rio Preto por estrada asfaltada debaixo de chuva. Posso afirmar seguramente que essa foi a chuva mais forte que eu já peguei pedalando. Meu medo era começar a chover granizo, mas felizmente isso não aconteceu. Cachoeiras se formaram na beira da rodovia. Eu não conseguia ficar com os olhos totalmente abertos de tanta água e com os pneus cravudos fazendo um chafariz na minha frente. Quando finalmente chegamos em Rio Preto, a chuva diminuiu bastante. Paramos numa padaria, mas o frio nos forçou a entrar em movimento logo.
A pior parte da viagem foi a estrada de terra até Santa Isabel. Era uma monótona reta interminável com muitas "costeletas" e lama. Para nossa sorte parou de chover e o Sol até mostrou as caras novamente. Mas logo começou a escurecer, e nada de chegar... A galera parou para lanchar na Fazenda São Fernando, mas eu e Pedro preparamos os faróis e continuamos. Foi muito bom finalmente chegar na Ponte do Zacharias e entrar novamente do Estado do Rio. Paramos em Santa Isabel para fazer um lanche e aguardar o resto da galera chegar.
Agora era só asfalto até Volta Redonda. Eu e Pedro saímos num ritmo doido, descemos a Serra da Mutuca socando a bota até chegar em Amparo. Esperamos a galera e partimos novamente. Próxima parada: Volta Redonda! Eu já estava com a cabeça em casa, imaginando um banho quentinho e depois cama. Foi quando um terrível lampejo de consciência me trouxe a realidade: eu tinha deixado as chaves de casa dentro da mochila! Pedalei igual um doido sozinho até VR, pensando no que ia fazer... Esperei a galera na entrada do bairro Santa Rita. A solução era dormir na casa do Jorginho e no dia seguinte pegar a mochila com as chaves. Em VR nos reunimos para cada um seguir seu rumo, não sem antes registrar a última foto, com todos destruídos!
Esse pedal foi a realização de um antigo sonho. Estou muito feliz por ter conseguido realizar tão árdua aventura, que só foi possível com a companhia desses grandes amigos. Obrigado a todos!