Já estava na hora de voltar à labuta. P-09, aí vou eu...Meus agradecimentos aos amigos que compareceram na "despedida" regada a muita pizza e risadas...
E pra você que já esperou 10 meses, o que são 15 dias não é mesmo? haha
:)
"Algumas das decisões mais sensatas da minha vida eu tomei com a cabeça nas nuvens".
O início da trilha tem muitas valetas, que me faziam desmontar da bike e descer empurrando. Paulinho, com mais técnica, descia alguns pedaços. Fortes descidas que exigiam bom preparo e um pouco de “loucura” para serem superadas. Belas montanhas em todo o percurso. A mais famosa, pedra da Tapera, dá nome à trilha.
No final dessa trilha mais fechada chegamos numa rua mais larga que até permite a passagem de carros, de terra ainda. Permitia-nos andar em boa velocidade desviando de pequenos obstáculos. Nesse ponto já existem algumas casas, bem isoladas. Fiquei sabendo que os moradores são descendentes de escravos e vivem num sistema auto-sustentável, com muitas plantações.
Logo em seguida chegamos no condomínio Boa Esperança, com belas casas. Algumas partes da rua são calçadas de pedras, outras de terra mesmo. Ruas bem sinalizadas. Encontramos com muita gente fazendo caminhada. Logo chegamos na saída do condomínio e entramos na estrada novamente, ainda tínhamos muito pedal até chegar em casa.Em Itaipava paramos para fazer um bom lanche e depois para ver uma exposição de carros antigos. Alguns deles passaram por nós na serra de Teresópolis. Depois tratamos de encarar estrada novamente.
Chegamos no Bingen. O meu velocímetro indicava
O macaco-branco (Brachyteles Rogerinus) é endêmico da Mata Atlântica. De hábitos diurnos, gosta de viver na copa das árvores sempre à procura de alimentos. A base de sua alimentação é a banana-nanica (até hoje os cientistas não explicaram o motivo desse nome já que trata-se de uma banana enorme). Eventualmente ingere água que passarinho não bebe, causando um perigoso cambaleio na sua locomoção entre os galhos. Dorme tarde, sempre com um olho bem aberto.
Possui longas madeixas loiras e olhos azuis. Durante a época de muda, tais madeixas caem e dão lugar a um pêlo espetado e baixo, formando um visual “emo”. Na época do acasalamento é possível ouvir seu canto bem afinado em toda a floresta, parecendo até uma espécie de melodia heavy metal, para atrair a fêmea.
É raro de ser encontrado em nossas florestas por ter sofrido grande processo de caça predatória do homem. Sua cauda era muita apreciada na confecção de espanadores de pó, motivo que quase o levou à extinção total. Até hoje, seu rabo vale um bom dinheiro.
Apesar de não ser gordo, vive quebrando galhos para os membros do seu grupo. É macaco velho, não mete a mão em cumbuca!
• História do Parque
O Parque Nacional do Caparaó está localizado na divisa entre os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo e foi criado em 1961. Sua maior atração é o Pico da Bandeira. Seu nome nos remete aos tempos da monarquia, pois conta a lenda que D.Pedro II mandou hastear uma bandeira do império na montanha mais alta do Brasil.Décadas mais tarde foi constatado que na verdade essa montanha é a terceira mais alta, com 2.892m, desbancada apenas pelo Pico da Neblina e o 31 de Março, ambos na Amazônia.
• A Viagem
O horário de partida da excursão estava marcado para as 23hs de quinta-feira. O ônibus estava praticamente lotado com 39 pessoas. Eu, meu irmão Eric, Nelson, Guilherme, Marcelo, Josi, Antônio, Tatá, Rafael e Fernanda formamos nossa “panelinha”, já que nos conhecíamos de outras aventuras. Um casal de gaúchos teve um atraso no seu vôo saindo do Sul e acabaram atrasando a nossa partida, que só ocorreu em torno de 1hr da madrugada. A viagem era longa. Chegamos na cidade de Alto Caparaó por volta das 9hs da manhã e paramos para tomar um café da manhã. Logo em seguida seguimos para a sede mineira do parque.
• 1º parte da Caminhada- Sede do parque até a Tronqueira
Contratamos um Jipe para levar nossas mochilas até uma parte do parque conhecida como “Tronqueira”. Até lá são 6kms de muitas subidas. O tempo não estava muito bom, muitas nuvens de chuva nos ameaçavam constantemente. Eu e Eric pegamos uma pequena trilha fora da estrada para conhecer a Cachoeira Bonita, com uma linda queda d’água de 80m de altura. Depois de mais 850m de caminhada chegamos na Tronqueira, um platô a 1.970m de altitude, último ponto acessível de carro.
• 2º parte da Caminhada- Tronqueira até Terreirão
A partir desse ponto a larga estrada de terra acaba e começa uma trilha com muitos obstáculos naturais. É possível alugar umas mulas para carregar as mochilas mas nós, como bons montanhistas, não achamos necessário. São 4,5km de caminhada até chegar no “Terreirão”, nosso ponto de acampamento. Logo no começo da jornada São Pedro decidiu dificultar ainda mais as coisas e providenciou uma grande chuva. Chegamos totalmente encharcados no Terreirão, que fica a 2.400m de altitude. Esse ponto possui sanitários, área de abrigo e água. Tratamos de armar as barracas para se abrigar da chuva. Eu ainda tive coragem para encarar um banho. É difícil descrever a sensação do banho com uma água tão gelada naquela altitude. Eu apenas gritava, arrancando risadas dos meus menos corajosos amigos. Mas valeu a pena a recompensa de dormir limpo.
• Ataque ao cume do Pico da Bandeira
Acordamos 3hs da madrugada com o céu nublado. Logo tratamos de tomar um café da manhã reforçado para encarar a pesada trilha até o cume do Pico da Bandeira. Começamos a caminhada por volta das 4hs, pois o objetivo era ver o Sol nascendo do cume. Muita gente na trilha deixava um rastro de pequenas luzes subindo a montanha. Conforme ia subindo o frio ia aumentando bastante e eu me arrependi de ter deixado minhas luvas na barraca. Eu tratei de apertar os passos para esquentar meu corpo e chegar logo no cume. Muita gente já estava lá em cima quando cheguei. Fiquei feliz por chegar no cume, terceiro ponto mais alto do Brasil, mas pela primeira vez na vida não tive vontade de permanecer muito tempo no cume pois ventava muito e o frio castigava bastante minhas mãos, que eu já nem conseguia mexer direito. Notei que a água na mangueira do meu cantil tinha pequenos cristais de gelo. Tirei algumas fotos e logo me incumbi de iniciar a descida, junto com o Eric. Algumas pessoas do nosso grupo, mais agasalhadas, ficaram. Conforme ia descendo ia me sentindo mais aliviado, ainda mais depois dos primeiros raios de Sol para me esquentar. Eu e Eric ainda aparamos para fazer um lanche e tirar umas fotos antes de retornar para o camping. Chegando lá, fizemos um almoço . Logo em seguida voltou a chover. Passei grande parte da tarde dentro da barraca dormindo ou ouvindo música. Nossos amigos retornaram do cume e, pra nossa surpresa, não pegaram chuva. A noite fizemos muita bagunça no acampamento, brincamos e rimos bastante. Todos foram dormir bem de barrigas cheias.
• Dia de levantar acampamento
Acordamos 7hs da manhã. Para espanto geral, o dia estava lindo com um céu de Brigadeiro. Começamos a enfrentar a pior parte, levantar acampamento. Mochilas arrumadas novamente, agora mais leves com a pouca comida que ainda restava. Pé na trilha novamente. Chegamos na Tronqueira. Pudemos mais uma vez aliviar o peso das mochilas deixando-as no Jipe. Mais um pouco de caminhada e logo chegamos na sede do parque onde nosso ônibus já nos aguardava. Com todo grupo reunido, partimos para o centro de Alto Caparaó para almoçar e encarar a longa viagem de volta.
• Pizza sabor Heavy Metal
A maioria do grupo parou num restaurante de comida mineira e encheu a pança com uma feijoada. Eu, Eric e Nelson resolvemos rodar a pequena cidade para procurar outro lugar pra almoçar. Encontramos uma pizzaria escondida com as portas entreabertas e resolvemos entrar. A atendente nos informou que a pizzaria estava fora do horário de funcionamento. Depois de uma boa conversa, ela resolveu nos atender e logo tratou de preparar a massa da pizza, especialmente para nós. O dono do estabelecimento nos perguntou se queríamos ouviu uma música. Para nossa total surpresa, ele nos falou seu “repertório”: Genesis, Pink Floyd, Black Sabbath, Led Zeppelin, Uriah Heep, etc... A pizza ficou pronta. Saboreamos a pizza mais gostosa que já comemos ao som de Black Sabbath nas alturas! A pizzaria era só nossa, tratamento VIP.
♫ Take my hand and we'll go riding through the sunshine from above
We'll find happiness together in the summer skies of love ♪
• Os Bichos de Montanha
Mochilas e roupas que colorem a montanha. Em seus rostos sempre um sorriso de satisfação, mesmo estando encarando as mais árduas e desgastantes encostas. Disposição para enfrentar as intempéries da mãe natureza sem se deixar abater, com a certeza de que não há conquistas na vida sem sacrifícios. O prazer de chegar ao cume de uma montanha só é apreciado por quem realmente tem algo diferente na sua essência. Um espírito elevado, assim como as mais altas montanhas.